IMPORTANTE: Se você não assistiu ao filme e tem um problema com spoilers não leia esta crítica. Você foi avisado.
Para aqueles já familiarizados com a carreira do diretor, produtor e roteirista Quentin Tarantino é desnecessário dizer que suas obras são marcadas por uma visão única e violenta da realidade. Isso não muda em Bastardos Inglórios, filme que se passa na 2º Guerra Mundial e retrata um desfecho inesperado para o fim do 3º Reich. A história é dividida em cinco capítulos e neles você acompanha o destino de Shossana, o detetive da Gestapo Hans Landa e o grupo de soldados americanos que dá título ao filme.
Desta vez Tarantino aborda a violência de uma forma diferente e opta pela tensão ao invés das tradicionais sequências de tiros, tripas, esquartejamentos, explosões e sangue, muito sangue. O suspense permeia momentos chave da história fazendo com que o espectador segure a respiração enquanto aguarda pelo desfecho. Interessante ver como o diretor consegue uma obra igualmente brutal sem precisar abusar dos takes de atrocidades da guerra. Mas o que mais impressiona é a construção dos personagens. Mesmo com pouquíssima informação todos, sem exceção, se apresentam de forma convincente. Se apoiar em esteriótipos para definir cada um poupa explicações e abre mais espaço para o desenrolar da trama.
Estes dois pontos já são motivos bons o suficiente para fazer qualquer um em sã consciência se levantar da cadeira e ir ao cinema. Se isso não bastar, acrescente a lista a atuação fantástica de Christoph Waltz como um dos melhores vilões já criado por Tarantino. Hanz Landa, o caçador de judeus, é sublime. Sua maldade disfarçada de gentilezas encanta. Contido, educado, manipulador, cínico… Inúmeras são as caracteristícas que Waltz imprimiu ao personagem de forma tão natural que assusta. Um show a parte.
Dito todos os pontos positivos chega a hora de ser ainda mais sincera e admitir o que incomoda. Não sei exatamente como explicar, fica a sensação de uma necessidade de se autoafirmar que é simplesmente desnecessária. Parece que Tarantino quer provar que é capaz de fazer um filme que agrade aos críticos mais chatos mesmo que para isso tenha que abafar alguns traços de sua personalidade. O problema é que esse controle não é exatamente bem sucedido, o que gera alguns pequenos ruídos ao longo da obra. Por exemplo, o efeito visual para apresentar o passado de Hugo Stiglitz. Introdução tipicamente de Tarantino, como se fosse algo saído de Kill Bill, porém que não harmoniza com o restante da estética do filme. Porque não criar uma nova abordagem então? Algo que não tenha sido usado antes, case melhor com o visual de Bastardos e surpreenda os já familiarizados com o estilo do autor? Esse mesmo erro, por assim dizer, se repete no final. Não me refiro ao fato de Hitler morrer de uma forma diferente do que contam os livros de história, mas sim ao boneco grosseiro de látex sendo baleado. A cena é algo digno de Planeta Terror. É como se nos instantes finais Tarantino resolvesse ser ele mesmo e ignorasse toda a classe empregada até então. Foi a intenção do autor causar essa quebra? Com certeza, quem não gostaria de avacalhar Hitler? Talvez a minha birra se justifique como uma fã da violência de Tarantino que sentiu falta de alguns litros a mais de sangue e cenas extras com os Bastardos. Não seria de todo mal menos diálogos e mais ação. De qualquer forma continua sendo um filme interessante e bem construído. Em uma escala de 0 a 10 daria… 8.


















